ultimamente,
desmaterializei as horas cronológicas
do meu relógio preto, de punho.
ansiosa, aguardo o seu alarme
ao passar de hora em hora.
sinto-me mais atenta
a cronologia desmaterializada dos meus dias
são de hora em hora onde
tudo acontece nesse intervalo.
o relógio quebra
para,
o céu vira mar
eu viro nada
as horas desmaterializam,
a saudade aperta
espiritualiza-se os dias
vivem-se os momentos eternos
recheados de instantes
tudo de hora em hora
agora mesmo ele alarmou
me fazendo perceber em mim
o quão atenta me coloco
o meu relógio preto, de punho
agora vive longe de onde deveria estar
só ouço de longe, na noite,
de hora em hora o seu tocar.
desmaterializo o tempo cronológico
e pauso no espaço do movimento.
tudo acontece nesse intervalo.
pelas ruas ando mais atenta
deve-se ouvir o alarme
de hora em hora.