quinta-feira, 29 de setembro de 2016

registro poético de uma moça recostada 
e um moço recostado 
na cadeira que leva ao uma viagem 
na madrugada 
eluarada fora.
qualquer canção adormecerá 
paquerando a madrugada 
na varanda do quase amanhecer
bem que joão gilberto dissera,
no fim da canção 
para entrar no samba. 
arrastou a janela
que trouxe vento pro corpo
enlatado,
apertado
dia cedo de buzu
cidade caótica
e nem acordei ainda.
corpos enlatados,
um sobre o outro
sob tantos outros
corpo enlatado
mar à vista
quase gratuito
mas a rotina exige a ida
e corpo enlatado.
coração que voa
aguarda liberdade da volta
nem acordei ainda
e meu corpo já guardado
numa lata apertada.
acho que tô dormindo
nem acordei ainda.
esse corpo enlatado
neste dia cedo de buzu
é muito desesperador
para um coração que quer
banho de mar
banho de voar.
que essa lata se exploda.
vou descer no próximo ponto
da próxima vez.
que ânsia de vômito
com essa cabeça que dói.
com esse corpo cansado
com a mente pesada.
adianto o tempo
dos sentidos
viajo para sair daqui
por alguns instantes.
infeliz cidade.
infeliz rotina robótica
que se exploda essa tecnologia
que falte luz
para que eu possa descansar
no escuro.

relógio de punho

ultimamente,
desmaterializei as horas cronológicas
do meu relógio preto, de punho.
ansiosa, aguardo o seu alarme
ao passar de hora em hora.
sinto-me mais atenta
a cronologia desmaterializada dos meus dias
são de hora em hora onde
tudo acontece nesse intervalo.
o relógio quebra
para,
o céu vira mar
eu viro nada
as horas desmaterializam,
a saudade aperta
espiritualiza-se os dias
vivem-se os momentos eternos
recheados de instantes
tudo de hora em hora
agora mesmo ele alarmou
me fazendo perceber em mim
o quão atenta me coloco
o meu relógio preto, de punho
agora vive longe de onde deveria estar
só ouço de longe, na noite,
de hora em hora o seu tocar.
desmaterializo o tempo cronológico
e pauso no espaço do movimento.
tudo acontece nesse intervalo.
pelas ruas ando mais atenta
deve-se ouvir o alarme
de hora em hora.


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

um barco à vela
à deriva
a mar.
vai-se indo
viendo de cá
para lá,
em busca de estrela
é assim que a gente vai
entre o céu e o mar
navegar
à deriva
indo e viendo
de lá para cá
em busca da estrela

sábado, 3 de setembro de 2016

à leste queima mais
bem no centro
expulsando-a para longe
ao sul barra o vento
aquecendo quatro dedos
a oeste arrepio
onde o sorrisos se põe
onde o samba vem sambando
miudinho dentro
ao norte inclinado
para não queimar muito
queima a ponta
expulsando-a para longe
muito longe de mim
a apatia desse rosto
neste dia sem cor

a chama acesa,
faz-me refletir sobre o brilhar
o brilhar amarelado que salta dos meus olhos
negros.
a luz é uma chama quente
com sua cor de calor
sob ela
sinais de coloridos musicais
aos ouvidos, o dom de ouvir
um belo jazz
a tranquilidade que precisava
chega quase no meu fim para este dia
o vento quase apaga a chama da vela
e junto com ela
eu me apagaria.