segunda-feira, 13 de junho de 2016

teu cheiro ficou aqui
em mim.
fotografei, também,
o teu riso frouxo.
coloquei numa caixa aberta o teu olhar,
o teu afeto.
o teu cuidado eu registrei
no meu corpo
quando tu me toca leve.
teus trejeitos
fazem parte dos meus dias.
fazem parte da saudade.
peguei-os para mim
para tê-lo mais perto.
enxerguei as poesias
que jamais escreverei em palavras
no momento que sorrio contigo.
atenta aos passos que caminhavam juntos
eu andei ao teu lado.
tropecei, mas não caí
meu coração está leve.
teu cheiro ficou aqui
agora mistura-se ao lirismo
que não me foi ensinado.
alimenta-me com tudo que é só teu.
o livro de poesias sobre a cama
e eu ao passo próximo de embeber-me.
que sorriso bonito é esse
que cê tem, menino.
paralisa-me
sorria a todo instante,
pegue na minha mão,
me olhe de canto,
me olhe como quiser
mas que seja com os teu olhar
Esse mesmo. Ele é só teu.
e parte meu.
é uma parte que me deixa inteira
em riso.
tu tem uma coisa diferente.
tu sonha!
quando ando contigo
pelas ruas
é como se irradiasse uma luz de lua cheia
e enxergo-nos
como o mais belo par de sorrisos.
essa vontade de te ter aqui
que só aumenta,
mas é uma vontade tão leve,
bonita.
é uma vontade poesia:
não pede licença,
invade e faz amar
trasbordar.

galaxiais

tudo começa pelo olhar 
de início aquela firmeza,
mas passou.
hoje, pelos teus olhos
eu vejo até ondas tranquilas de um mar
só teu.
enxergo com clareza os pontos de estrelas
que te conectam a tantas galáxias.
teus olhos tem um brilhar carinhoso
novo sentido visto pelos meus olhos curiosos.
gosto de te admirar,
te acho tão bonito.
teus olhos me mostram a misticidade do afeto
quando tu me olha
tu me mostra calmaria.
eles brilham tanto
que chego a ficar boba
e me ponho só a te olhar.
não sei o que tem acontecido com os meus olhos
para querer-te olhar tanto
meus olhos acham incríveis as galáxias
aquele colorido
oscilante
ciência
sentidos
gosta daquelas não-respostas
gosta de admirar
de querer-bem.
deve ser por isso
deles tanto olharem
para aqueles olhos escuros
olhos galaxiais.

sempre nova

chega
um vento forte levava 
o corpo até subir a escada 
mas lá de cima
quando no topo estava 
pronta para imersão na clausura
da noite de todos os seus dias
o corpo se negava
resguardar-se do vento forte
ele quer ser levado para fora
jogado com força,
quer sentir o frio,
quer sentir a sua saudade tão precoce.
corre
como se alguém a vigiasse com olhos de afeto
sente o vento,
de olhos fechados
e as folhas de outono caem sobre sua cabeça,
cabeça de vento forte também.
abre o livro com cheiro de novinho em folha
escrita de poesia
aquelas que gritam.
sente o vento forte
e começa a leitura com a pouca luz
que saia da sala de estar iluminando parte de fora
a chuva quase vem.
a moça, sua saudade e o livro
recitam a verdade dos sentidos.
levanta-se lentamente
sobe a escada levada pelo vento forte
agora não nega essa ida
o que tinha de sentir, já sentiu em intensidade.
agora vai
e sente o vento que entra pela janela do quarto.
o livro de poesias é seu fiel sossego.
um rede de descanso virada para a lua
sempre nova.

sábado, 4 de junho de 2016

assim

estou feliz com os amores escolhidos,
estou feliz porque eles são livres
e eu também.
estou feliz porque o amar é vasto
e a escolha do amor ilusório
cabe na totalidade de todo amar.
tenho sido o meu vício,
a sós.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

êxtase

adentra a madrugada 
e a euforia
de sentir as coisas que, 
de antemão, não fazem sentido.
viver em êxtase, 
a todo instante
é delicioso.
curioso.
esse sentido que a gente tanto busca
nas coisas tímidas
nos momentos tímidos
no que se sente timidamente
pode nos fazer perder muito da euforia essencial.
parece confuso
desordeiro
um sentimento jovem de descoberta
de energias tímidas
compartilhadas em reciprocidade.
essa minha brincadeira de sentir em plenitude
tudo que me rodeia
de abraçar a timidez dos gestos e desejos do novo
de aceitar as confusões
ainda vai me fazer viver muita poética
passando de passagem por caminhos semeados de euforia
viver assim é viver em êxtase pelas poesias.

clã

retalhos 
afeto
querer que a poesia chegue
é um querer que desmerece a poesia
ela vem sem sua licença.
que ousadia.
retalhos dos dias
afetos dos dias
alimentados pelas palavras.
a minha confusão que grita desordenadamente
em silêncio
é afeto.
clã
retalhos afeto.
a poesia quis chegar
dei espaço
e está gravada nas palavras
que deixam de ser mudas
quando se organizam assim.

vício

essa droga ilícita
dos meus dias.
embebo sem medidas,
sem doses certas, 
indefinidas em exatidão.
abuso do vício
dessa droga ilícita,
dos desejos ilícitos
dos medos proibidos
dos sentimentos tolhidos
que se libertam.
vício diário
alimentado em exageros sutilmente
bem dosados nas incertezas.
embebida do caos
das palavras
das leitura
embebida da madrugada,
da pouca luz que entra,
embebida das curiosidades
do escuro,
embebida de mim
de tudo ilícito aqui
meu vício diário sou eu
a sós.

c

canções
confusões
conter 
querer não é com c
mas pode ser
conversas
carinho
horas que passam
corações a ser
céu.

(perma) nascer

desculpas se não gosto de permanecer 
esse oscilar de corpo e alma. 
essa confusão interna a mim
externa a tudo que me rodeia. 
passo, fico e me vou
passo, fico e vou
passo, fico e sempre quero ir.
se deus quiser eu volto
se não, fico para nunca mais
a surpresa da resposta me encanta
e me instiga a não permanecer
quero sentir o sabor de voltar
ou ser nunca mais.
pelo menos eu passei por carinhos despertados.
passo, fico e sempre vou para algum lugar.

mágico

que magia!
tudo que não se explica cabe aqui. 
cabe tanto dentro,
nos sentidos,
nas confusões,
ilusões.
os desejos são mutáveis.
que magia
é que acompanha
quem cria.
inimagináveis descobertas
cobertas pelas incertezas
nem tudo é
nem tudo pode ser algo
ou por vontade
ou quem sabe magia.
o criar é isso:
ser mágico
questionador
por escolha de sofrer
pela resposta que jamais virá
besta é o mágico
que se pergunta da magia de criar.
a magia é intangível
e o criar
mais que isso
é emoção.