segunda-feira, 13 de junho de 2016

sempre nova

chega
um vento forte levava 
o corpo até subir a escada 
mas lá de cima
quando no topo estava 
pronta para imersão na clausura
da noite de todos os seus dias
o corpo se negava
resguardar-se do vento forte
ele quer ser levado para fora
jogado com força,
quer sentir o frio,
quer sentir a sua saudade tão precoce.
corre
como se alguém a vigiasse com olhos de afeto
sente o vento,
de olhos fechados
e as folhas de outono caem sobre sua cabeça,
cabeça de vento forte também.
abre o livro com cheiro de novinho em folha
escrita de poesia
aquelas que gritam.
sente o vento forte
e começa a leitura com a pouca luz
que saia da sala de estar iluminando parte de fora
a chuva quase vem.
a moça, sua saudade e o livro
recitam a verdade dos sentidos.
levanta-se lentamente
sobe a escada levada pelo vento forte
agora não nega essa ida
o que tinha de sentir, já sentiu em intensidade.
agora vai
e sente o vento que entra pela janela do quarto.
o livro de poesias é seu fiel sossego.
um rede de descanso virada para a lua
sempre nova.

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