sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Sobre um ser nítido, turvo e não saber o que se é.
Sou nítida e turva.
Outrora me sentia turva.
Tudo em câmera lenta
Turva.
Agora sou nítida
Enxergo-me com a clareza
De uma imagem
Nítida.
Ser turvo parece confuso
Agoniante,
Mas não.
Ser turvo é sentir outra realidade.
O nítido, pelo contrário,
Parece belo
Prazeroso,
Mas não.
O nítido é razão
É aquilo que só os olhos da cara podem ver.
Foi no turvo que senti prazer
Foi no turvo onde o toque chegou.
No nítido vi o confuso
Agoniei-me do igual
Da imagem
Estática.
O nítido é sempre um só.
O turvo é instante
inconstante
Do ver e sentir a
Complexidade do
Turvo.
outubro, 2015

terça-feira, 4 de outubro de 2016

no mar onde encontra-se
onde o cheiro perfumado chega
onde a onda leva
quase afoga
mas hora ou outra ensina a nadar.
onde todo o naufrágio vira recomeço
onde as palavras são à deriva
no mar é onde sempre tem poesia
onde as palavras sempre voam sabidas
sábias.
no mar é onde corro e sinto o teu correr junto
onde o teu cheiro é tão forte que me perfuma também
é onde a tristeza vai embora
e o riso vem
pela promessa leve do cuidado.
no mar é onde encontro-me
encontro-te
juntos ficamos
sorrimos no mar é onde o cheiro perfumado chega
onde a mesma onda que pode afogar
é aquela que faz sentir viva.