pena das pessoas que não se fazem pena.
pena de mim, por querer ser pena
e às vezes ser raiz.
que mesmo sem querer, se finca em solo duro.
mas ainda assim, sou pena.
porque as penas, por instantes, até duradouros
são fincadas nas asas dos que voam.
elas precisam estar ali.
resistentes.
seguras em algo. Mas, em determinado momento do senhor tempo,
elas são obrigadas a cair.
cair de alturas inimagináveis.
cair, somente.
quando a pena cair e encontrar o vento
ela terá a experiência de um voo livre
sentirá a liberdade que te abraça.
agora, sinto pena das asas que voam.
elas não mais voarão com estas penas.
que pena!
porém, terão o privilégio de voar com asas recém surgidas.
com as que ensinarão desde o princípio o
que se deverá aprender no instante do já.
surgiu novos ciclos de penas coloridas,
que se fincarão mais uma vez nas asas que voam.
agora, não mais sinto pena.
sinto desejo de voos desconhecidos.
neste instante elas são obrigadas a, somente, voar.
conhecer
viver
sentir
tudo de novo que essas penas que ajudam
a levantar voos Irão proporcionar.
pena de mim quando perder tais penas.
mas ainda assim, maior pena teria de mim,
se continuasse com elas em tempos eternos.
gosto da queda livre.
de raízes flutuantes.
às vezes são necessárias para
conhecer o ser que é si só.
se for para estar fincada a algum solo,
que seja o solo de asas que voam.
o solo que compartilha,
respeita e ama no sentido vasto.
que sente infinito, mas que saiba a finitude que existe em todo ele.
das metades que formam o todo
que também é metade de algo.
penas que voam!
pena das penas que não escolhem voar.
pena tenho das penas que não se deixam cair.
penas que se fincam em tempos eternos, sufocantes,
de asas que voam,
um dia não mais voarão.
estarão cansadas e aflitas de serem as mesmas penas,
de voarem no mesmo céu.
a intensidade da queda não mais existirá.
não tem nada de novo nisso.
que pena.