de muitos en (cantos) e axés…
um canto é entoado
frente ao Elevador Lacerda,
respira fundo e inicia.
chapéu ao lado, no chão e
a voz soando leve, breve.
as moedas caem no mesmo ritmo…
junto ao canto, um sorriso de en (canto).
meta cumprida!
logo mais é chamado ao canto,
com encanto, vai.
“ você não pode ganhar a vida aqui, este lugar é espaço público! ”
em meio a tantos questionamentos, preferiu cantar
para ver se, de fato, os males se espantam…
dessa vez, o mal presente era ele mesmo.
o exército se aproxima,
pega-o pelo braço e leva-o
ao en (canto) da Bahia,
para sentir na pele o seu axé.
no canto é posto,
voz embargada. Se cala.
um canto rasgado é entoado dentro do peito.
palavras são ditas de forma asquerosa.
preto no canto e gemidos silenciosos.
o “ espaço público” agora é outro.
batem no seu corpo público
na sua dignidade pública
no seu canto público.
dias se passaram,
corpo dolorido, voz amarga.
o direito a proteção
vem em forma de agressão.
vive na rua
no en (canto) da Bahia
e sente na pele o seu axé
axé amargo.
indignado, se pergunta
em terra de encanto,
preto no canto
não pode nem cantar?
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