domingo, 14 de fevereiro de 2016

en (cantos)

de muitos en (cantos) e axés…
um canto é entoado
 frente ao Elevador Lacerda, 
respira fundo e inicia. 
chapéu ao lado, no chão e 
a voz soando leve, breve. 
as moedas caem no mesmo ritmo… 
junto ao canto, um sorriso de en (canto).
meta cumprida! 
logo mais é chamado ao canto, 
com encanto, vai. 
“ você não pode ganhar a vida aqui, este lugar é espaço público! ”
 em meio a tantos questionamentos, preferiu cantar 
 para ver se, de fato, os males se espantam… 
 dessa vez, o mal presente era ele mesmo. 
o exército se aproxima, 
pega-o pelo braço e leva-o 
ao en (canto) da Bahia, 
para sentir na pele o seu axé. 
no canto é posto, 
voz embargada. Se cala. 
um canto rasgado é entoado dentro do peito. 
 palavras são ditas de forma asquerosa. 
preto no canto e gemidos silenciosos. 
o “ espaço público” agora é outro.
batem no seu corpo público
na sua dignidade pública 
no seu canto público. 
dias se passaram,
corpo dolorido, voz amarga. 
o direito a proteção
vem em forma de agressão. 
vive na rua 
no en (canto) da Bahia 
e sente na pele o seu axé 
axé amargo. 
indignado, se pergunta 
em terra de encanto, 
preto no canto 
não pode nem cantar? 

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