quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Quando eu fecho os olhos 
sinto o caminhar dos teus dedos negros
sobre a minha pele negra
e os meus dedos a caminhar sobre o teu corpo negro.
o teu olhar me olha com um negro colorido 
esses olhos de maré
hora ou outra chegam por aqui.
imagino o teu corpo colado no meu
e isso me arrepia
e isso me faz querer você aqui
os teus dedos amarrados no meu emaranhado de fios
e os olhares se cruzam em deleite
e o teu corpo me deseja
como eu desejo o teu
bem aqui
a me excitar pelo olhar saúdo
pelo toque miúdo
pelo amor graúdo
pelo desejo cheio
que vem para sentir
o encontro dos corpos
que se chocam
e arrepiam. encontro de energias negras
que quando juntas explodem.
naquele quarto escuro.
a tua mão preta aperta minha perna
tua respiração canta no meu pé de ouvido
e eu sinto os teus dedos caminharem
eu estou de olhos fechados
sem você aqui
mas eu te sinto e vejo.
queria fazer tudo 
que não é para ser feito
queria ficar a dançar 
pelos ares 
a plantar pelos mares 
a voar pela terra.
tudo pode ser feito nas palavras
porque aqui,
no sentimento
'peleumonia' é mais real
que 'pneumonia'
porque a primeira delas
faz parte do dicionário dos sentidos,
sentidos vividos
cantados
plantado nos mares
dançado nos ares
aqui a palavra é graúda
e oral
por mais bem escrita que esteja.
por mais bem lida que seja
são palavras ditas de forma arrudiada
quase calada.
mas sempre se sabe o que se quer dizer.
porque as palavras aqui significam tudo
quando se sente.
queria fazer tudo 
que não é para ser feito
queria ficar a dançar 
pelos ares 
a plantar pelos mares 
a voar pela terra.
tudo pode ser feito nas palavras
porque aqui,
no sentimento
'peleumonia' é mais real
que 'pneumonia'
porque a primeira delas
faz parte do dicionário dos sentidos,
sentidos vividos
cantados
plantado nos mares
dançado nos ares
aqui a palavra é graúda
e oral
por mais bem escrita que esteja.
por mais bem lida que seja
são palavras ditas de forma arrudiada
quase calada.
mas sempre se sabe o que se quer dizer.
porque as palavras aqui significam tudo
quando se sente.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

sempre escrevo sobre o quão leve
as coisas chegam pra mim
agora no céu tem pássaros a voar
o céu forrado de azul.
as ondas do mar na calmaria
uma criança corre e molha os pés
e corre de volta ao colo da mãe
e volta, novamente, ao colo do mar.
amigos conversam
a flor amarela se move com o vento leve
uma pipa presa nos fios elétricos.
do outro lado o sol de põe
também amarelo
e eu, a sós,
na espera de quem vem.
está vendo só,
como tudo chega leve.


quinta-feira na Bahia
amarelo para brilhar
ora iê iê ô
chama para abençoar
salve, mãe oxum
salve o sal
o doce
e o encontro
no caminho de passagem
uma flor amarela
deve ser presente da mãe
para a filha do filho dela
logun edé


as confusões que abarcam o meu ser
e me fazem navegar em barcos
que abarcam
minha ida.


atraso


atraso os causos rotineiros
e me adianto para o novo.
sem atrasos. sem pressa.
atraso os causos rotineiros
para cantar. eu danço o atraso.
atraso os causos rotineiros
por serem rotineiros.
a rotina cansa e não deve exigir pontualidade
atraso os causos rotineiros e escrevo

no caderno de descanso. 
eu gosto de sair a observar
perceber, quase sempre cantar
de ver. gosto de ver,
escrever, viver, crer, nascer
morrer. eu gosto de querer
conjugar verbos nas minhas tardes
por todos os verbos o
eu se torna aquele que não conjuga,
mas que é todos os conjugáveis também.


perco as estribeiras
o tempo
o espaço
a modernidade
a sanidade,
mesmo que ainda muito pouca.
passo do ponto de parada
do momento da chegada
passo de passagem.
ganho o riso
o brilho
o querer
sem nem saber por que.
ganho parte de mim
e de tudo que está aqui
ganho escrita leve,
dou ao papel em branco
o negro da caneta
que não só escreve,
mas que sente.
a boquinha da noite

quase chega.
22 horas
Exatas horas
Ingere exato rosa
Doce que amarga dentro
22 horas
Alarme toca
Fica atenta.
Azul na cama do outro
Passou.
Rosa com cheiro de noite
De 22 horas
De 20 anos
De 20 semanas
De 20 medos
De 20 anos
De tantos rosas
Rodas
Até ficar tonta
E dormir.


Fujo mesmo
Com toda clareza.
Fujo sempre que posso
20.
Mas logo volto.
Quero ser boa

O bastante para mim mesma. 
Proteja-se de si mesmo
Senão ficará presa

A sós. 
Postal
Retrato amável
Flor de palha seca
48 cores coloridas
Emoldurado vários tons secos
Nessa noite que chove
Fps 30
Não é suficiente
Metade de cabe
Cheiro de ilha
Cheiro de noite
Pulseira de mar
Papel sobre a cama
Sapato sob a cama
Corpo sobre a cama
Abaixo do teto
Vento que gira
Artificial
Porta aberta
Bagunça de todos os lados
Inclusive dentro
Sede de água
Olhos que ardem
Caixa surpresa
Nada dentro
Cartão de passar
Fica no ponto
Papel gigante escrito
Saudade da rainha
Pena que cai
Cheiro de noite
Cangote quente
Febre antecipada
Banho de chuva
Inconsequente
Dança pífano
Toca flauta
Diz nada
Com sentido
Triângulo
Relatório
10 pontos no papel
Procrastinação
Vinte anos
Acha que escreve
Volta a real
Sono
Lá fora chove
48 cores coloridas
A escrita e finda
No fim do mundo.
Ninguém poderá enxergar
As palavras miúdas de lá.


Retrato amável

Cola-se os corpos
As cabeças
Os corações por elos
Singelos de amor puro.
Cola os pedaços da saudade
Das incertezas
Cola a distância esse abraço.
Volta aqui a mim
Volto a ti a todo instante
Quero sorrir assim, ao teu lado
A cada dia que floresça
Quero que saiba dos meus escritos
De gaveta
Onde tu sempre estás presente
Onde a tua saudade faz morada
Onde a tua poesia é só tua
E de mais ninguém.
No retrato amável à esquerda
Emoldurado com azul infinito
Te projeto aqui.
O meu amor tímido
É assim por ser seu
Desde quando a minha morada
Era no teu calor-amor.
Lá não sentia frio
Nem sabia que existia
Hoje sinto frio
E o teu calor-amor chega num vento passageiro
Que entra cruzando todo o quarto das memórias

Lá fora chove e eu estou só. 
 dia inteiro de chuva
corpo solto na rua
a molhar
biqueira de árvore
água fria molha o rosto
faz acordar para a vida
a frente dos olhos.
Lenço na cabeça
E corpo solto na rua
E coração solto na rua
E olhar atento a poça de água
Onde os pés pisam com certeza
De querer pisar
Para molhar
Para sentir frio
Para se sentir vivo.
Corpo inteiro de chuva
Chuva inteira de rua.


A cidade nos dias de chuva
É solitária
Como os corações guardados
Pelo medo de molhar.
A solidão dos passos
Na cidade em dia chuvoso
É a prova de que
Uma vida toda não
Se vive só de sol
As gotas caem
A cidade se acende cinza
É tarde
E já escuro
A chuva molha a cabeça.
A cidade solitária
Em plena chuva de mei dia
Mostra que sol também sou
Que só, neste dia não fui,
Porque uma chuva só
E um coração só
Formam um par
De solidão a caminhar pela

Cidade em dia de chuva.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

pelas lentes escuras de grau
vejo um amor embaçado
grau maior que o meu
atrapalha minha visão.
amor real embaçado,
oscilante como o mar
infinito como ele mesmo.
amor real embaçado
bem quisto
bem visto
bem sentido
inteiro como dois corações em mar
amor real embaçado
os meus olhos enxergam
pelas lentes com grau
e parece que registro em conto de amor
pelas lentes embaçadas
junto as palavras que chegam
o amor embaçado se aproxima
em sensação de mar
coração quente como o sol
amor brando de água azul
a poesia vive
e todos sorriem.
o amor é real
às vezes embaçado.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Olhos galaxiais distantes
Espero que atentos a me enxergar de longe
Daqui te vejo
Bem quisto
Bem sentido
Menino
Graças as fotografias
De quando te vejo calada
Posso te ver aqui.
Tua imagem refletida
No branco do papel que escrevo
Uma poesia
Sobre você e uma saudade.