sábado, 13 de agosto de 2016

O choro guardado foi explodido e jogado ao universo. Não mais irão me calar. Eu grito alto. Nem precisa fazer silêncio, vocês irão me escutar. Aproveito a minha liberdade de expressão...
Novo exílio
daqui do alto,
no primeiro andar desse casarão
me sinto por parte exilada
a vizinhança me exila,
por vezes me cala,
mas logo volto a gritar
a gritar porque em mim
tudo grita e resiste
tudo grita e quer mudança.
Quero explodir as minhas palavras
pela liberdade de expressão que me foi dada
de outros tempos
ainda tão novos...
tempos que devem evoluir
para novos gritos surgirem
e reverberarem pela sobrevivência da democracia.
Nas histórias contadas
aqui onde moro foi refúgio
para os exilados da ditadura 'velha'...
E hoje querem me exilar, exilar meu povo
por mais uma vez.
Mas a vida há de querer
que essa busca escorregue entre os dedos
daqueles que matam,
que roubam a dignidade
e o direito das pessoas,
daqueles que gritam repúdio à corrupção
mas acatam as decisões corruptas
e constroem o País deles... Só deles...
Mas não é assim que a banda toca
Nós temos voz e coragem para gritar.
Ah, não é coragem pouca
saibam disso.
Há de minhas palavras leigas servirem como açoite,
daquele que corta
e amarga o choro
Eu quero mais...
Quero rua
arte
voz alta, grito
gente
sorriso
quero progresso
regresso nunca mais.
quero direitos
quero o exercício da cidadania
eu quero empatia!
O som das panelas batidas
lembra-me a infância,
lá em tempos atrás
quando faziam desse som uma festa no quintal.
Hoje o bater panela é "revolução"
se for assim, eu fiz revolução desde criança
quando fazia das panelas instrumentos musicais.
Aliás, acho que a minha revolução vem lá da hora do meu nascimento.
A revolução veio de mainha, mulher negra,
empregada doméstica
que me disse que a vida não é fácil,
mas que lutando a gente conquista.
uma mainha
que supriu minhas necessidades pelo Bolsa Família
Eu sou uma vagabunda!
me viro desde cedo,
e terei que me virar até meus últimos dias
entrei na universidade como uma moça vagabunda
ah, não uma moça vagabunda 'qualquer'
mas uma moça vagabunda, ainda por cima cotista!
e sairei dela uma vagabunda com diploma.
Eu quero respeito!
A minha revolução é estar no lugar que eu quiser
a minha revolução é escrever
a minha maior revolução é sentir.
Aqui não é defesa de partido
é defesa de direitos conquistados com esforços,
com sangue.
o que está em jogo são vidas
que querem viver!
já levamos golpes demais...
golpes no corpo,
golpes de palavras,
golpes de olhares que nos repudiam,
golpes de direitos,
golpearam até os nossos sentidos
imagine...
golpearam a nossa voz.
Vocês querem mais um golpe?
cês tão de brincadeira!
Apesar de vocês,
amanhã vai clarear e brilhar
e continuaremos a gritar e não mais nos calar
diversas Vitória's querem respeito
diversas mainha's querem respeito
o povo quer respeito.
E o povo grita,
vocês irão escutar,
porque esse grito reverbera e o podem deixar surdos.

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