segunda-feira, 4 de julho de 2016

Às vezes tenho medo da loucura, nunca sei até onde as palavras podem me levar, elas me carregam, e como se não bastasse faz-me sentir o quase não existir. Esse estado de sensibilidade que as palavras me fazem sentir, para muitos é sinônimo de loucura. Eu sou louca por sentir demasiadamente, muitas vezes, as dores que não são minhas, por mergulhar profundamente em todas as miudezas dos meus dias, aquelas que, de tão imperceptíveis, me fazem chegar a desconhecer os motivos pelos quais eu as enxergo com tanta clareza. Não é necessário entender. São sentimentos que vivem no meu anonimato, na minha pouca visibilidade pelo pouco que existo aqui. Ainda não sei se existo, ainda não sei definir se isso seria a minha extrema loucura, não me interessa saber, essa busca roubará a insanidade dos meus dias tão leves.
Às vezes tenho medo da loucura. Quando me coloco imersa nas palavras, quando faço delas o descanso do meu eu, eu não me sinto aqui, agora sou uma coisa intocável, incompreensível, inconstante, insignificante a todo alheio ao meu eu. As palavras me sugam, tomam a minha visão, a minha voz se emudece, o meu corpo flutua e somente duas coisas em mim vivem em plenitude, a primeira delas é o meu coração que rouba a cena dessa minha loucura e dita todas as não regras, que grita em silêncio tudo que preciso ouvir, meus ouvidos estão mais sensíveis, ouço o caminhar dos passantes na calçada, o bater do meu coração que vive em êxtase de palavras, ouço o barulho da minha casa na infância, ouço o balançar suave das lágrimas dentro dos meus olhos que ousam cair quando escrevo. A escrita me emociona. Me cura ou me enlouquece.
Parece que meu coração bate em um corpo pausado tomado pelas sensações diversas de uma vida minimamente ligada aos sentidos dele. Não quero definir por tantas palavras poucas a vivacidade do meu coração, de uma das únicas partes vivas agora.
A segunda delas são os meus dedos, eles têm vida própria. Navegam sobre o branco do não escrito. Essa folha agora sente, agora vive junto a flutudança dos dedos que caminham desatentos a tudo que se quer escrever. Os dedos não sabem por que escrevem, eu nunca sei qual o sentido do que escrevo, às vezes isso me deixa aflita, como uma louca sem saber para onde ir, imersa nas confusões de uma loucura sentida a todo custo, uma loucura singela que chega a ser bonita, às vezes as palavras mentem para mim, às vezes me gritam todas as verdades sobre a minha quase não existência. Se eu existo é por pouco, estou ciente disto. Estou ciente do meu não domínio das palavras, elas são tão livres e eu me fiz assim, graças a elas. A escrita quando vem, chega e fica por aqui.

Das somente duas partes que vivem agora, a escrita dança e me diz o que precisa ser dito. Meu coração sente, meus dedos vivos escrevem por si só, eles são autodidatas desde muito novos. Agora os meus lábios vivem e entoam as palavras, me fazendo ouvi-las pela boca de quem as escreve, eu não sei de onde veio essas palavras, essa minha loucura que às me faz perceber um tanto demais o que se passa dentro. Eu não sei até onde as palavras podem me levar, mas quero que elas me levem. Assim caminharei até onde a não existência me levar. Um dia quem sabe existo. 

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