negue-me, homem
negue-me mais uma vez
aos meus vinte anos.
mas cuida-te com muito carinho
como um filho cuida de um pai no auge da velhice.
negue-me a existência em tua fútil existência em minha vida.
negue-me ciente da negação
e dos retornos.
olha-me uma mulher de vinte anos
de longe, como sempre feito.
preocupa-te com tua vida
com teus desejos de um pai livre dos filhos
exalte a tua masculinidade
e o péssimo pai que sempre foste.
negue-me
deixo que rasgue meu coração mais uma vez
até sangrar.
afasta-me de ti diariamente
e aproxima-me mais de mim
do desejo de ser mulher igual a negra puta que me pariu.
negue-me, homem
negue-me, pai
quem pariu Matheus que balance
se não, Matheus aprende a se balançar sozinho
e, mais tarde, não espera esforço que o empurre
ele sempre saberá o caminho.
começando por não negar.
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