Essa coisa que chega assim, antes mesmo de chegar, engolindo a saliva que desce rasgando a garganta recém curada com gargarejo de romã do quintal da minha casa de infância, de vida inteira. Essa coisa que chega, parece que rouba minha fome e me faz tomar uma colher de sopa de leite de papoula, me faz sentir em outra dimensão puramente irreal. Essa coisa que se conecta com as coisas de lá de parte do meu coração, essa coisa que se conecta por desdobramento, essa coisa que chega em sonho, alás, tanta coisa que chega em sonho que chego a nem conseguir interpretar todas elas e isso me agoniza. Me deixa impaciente, me faz balançar as pernas sob a mesa em movimento ligeiro e angustiante.
É como se estou aqui, mas minha atenção está voltada para alguma situação que acontece agora, alguns longos passos de mim. Já não sei diferir o que sou eu e o que seria minha intuição. é como se houvesse uma fusão e a intuição se transformara em mim e tudo agora é culpa dela, tudo agora ela me diz como fazer, me guiando, quase sempre, em passos tranquilos, às vezes em passos amargos de uma espera que pode nem chegar, pode ser só coisa da minha cabeça.
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